cenas brasileiras
cena carioca: dia desses, de noite, um rapaz da zona sul do rio de janeiro (essa estreita faixa que vai do maciço da tijuca até o mar), melhor representante do estilo e modo de vida de sua elite econômica, morreu atropelado enquanto andava de esqueite num túnel fechado. o atropelador era um jovem morador da barra da tijuca (vindo de uma família em franca acepção econômica, segundo os jornais, originária de quintino, bairro da zona norte do rio, que já deu ao mundo o jogador zico), essa emulação bizarra de miami com toques de brasília, que provavelmente andava em alta velocidade sabe-se lá por qual motivo. a polícia, depois do suborno, liberou o rapaz.
somados os delitos das 3 partes, o seu modus operandi e o resultado midiático-político da coisa, temos uma quase perfeita cena carioca; faltou, como coadjuvante eterno, um morador de alguma favela exercendo a sua parte na tripla contravenção, suprassumo da típica interação entre os personagens da cidade e do seu suicídio político: o ato repetido e feroz de transformar a autoridade ou o espaço público em alimento pros seus benefícios – em nível econômico, em nível político ou só em diversão.
a aparentemente indolor contravenção da zona sul, o vício do carro como instrumento de poder, a deformação institucional da polícia, a sanha urubuzesca do freak show midiático e o oportunismo político são a melhor representação da cidade do rio de janeiro, seus impasses, sua deterioração.
cena paulistana: a folha de são paulo publica uma matéria sobre obras de arte em espaços públicos adotadas por empresas (os custos de manutenção, de restauração, etc). os empresários se queixam do alto custo e da falta de benefícios, por conta da lei municipal que limita a publicidade em são paulo, além do risco da manutenção (a necessidade periódica de reparos); o representante da prefeitura, secretário municipal de cultura, não abre o debate e entuba os custos. diz a matéria: “Segundo a Secretaria da Cultura, muitas obras são conservadas só com limpeza sistemática. "Outras, pelas dimensões, condições de exposição às intempéries e material, exigem cuidados especiais" e "grandes cifras".”
nesse jogo, nenhum dos personagens defende o interesse público. inclusive porque, no fim, o jornal lista as esculturas adotadas, e não, muito mais importante, as por adotar.
somados os delitos das 3 partes, o seu modus operandi e o resultado midiático-político da coisa, temos uma quase perfeita cena carioca; faltou, como coadjuvante eterno, um morador de alguma favela exercendo a sua parte na tripla contravenção, suprassumo da típica interação entre os personagens da cidade e do seu suicídio político: o ato repetido e feroz de transformar a autoridade ou o espaço público em alimento pros seus benefícios – em nível econômico, em nível político ou só em diversão.
a aparentemente indolor contravenção da zona sul, o vício do carro como instrumento de poder, a deformação institucional da polícia, a sanha urubuzesca do freak show midiático e o oportunismo político são a melhor representação da cidade do rio de janeiro, seus impasses, sua deterioração.
cena paulistana: a folha de são paulo publica uma matéria sobre obras de arte em espaços públicos adotadas por empresas (os custos de manutenção, de restauração, etc). os empresários se queixam do alto custo e da falta de benefícios, por conta da lei municipal que limita a publicidade em são paulo, além do risco da manutenção (a necessidade periódica de reparos); o representante da prefeitura, secretário municipal de cultura, não abre o debate e entuba os custos. diz a matéria: “Segundo a Secretaria da Cultura, muitas obras são conservadas só com limpeza sistemática. "Outras, pelas dimensões, condições de exposição às intempéries e material, exigem cuidados especiais" e "grandes cifras".”
nesse jogo, nenhum dos personagens defende o interesse público. inclusive porque, no fim, o jornal lista as esculturas adotadas, e não, muito mais importante, as por adotar.
0 Comments:
Post a Comment
<< Home